Meus momentos preferidos na cena teatral em 2018

37635077_983500018488025_2616920923457978368_n

Este ano vi 144 peças de teatro, em 4 estados nacionais.
A lista abaixo é para aqueles trabalhos que me tocaram de alguma forma. Eis os motivos!!!

ARVORES ABATIDAS – O drama do artista que não dá certo, que fracassa, que fraqueja, que envelhece, que adoece, que deprime, que não tem emprego, oportunidade, sucesso. Tudo isso junto e misturado nesse drama polonês com mais de 4 horas de duração e que inquietou e provocou a platéia do Sesc Pinheiros. A possibilidade de conhecer o trabalho delicado da direção de Krystian Lupa foi outro achado. Aliou poesia e morte de forma tocante e exigente. #trazeledenovoMITsp

CÉREBRO CORAÇÃO – Essa peça é um misto de uma atriz excelente, um texto provocativo, um cenário instigante e uma direção que não se rendeu ao popular, ou seja… o pacote completo. Sou fã de Mariana Lima, desde de “Apocalipse 1,11”, isso há quase duas décadas. “Seu” cérebro/coração se tornou um tocante e sensível questionamento sobre os caminhos dos desejos, dos sentimentos, o duelo da razão e emoção, e da necessidade e capacidade de se renovar como artista. Mariana soa tão honesta em cena, que o público apenas órbita em sua volta #soufãconfesso
(+)
https://ilusoesnasalaescura.wordpress.com/…/01/cerebrocora…/

ENCONTRO 32 ANOS DEPOIS – NÓS DO MORRO – Subir um trecho do Morro do Vidigal (RJ) e poder acessar um pouco do trabalho dessa galera jovem foi um experiência agradável e inspiradora. É aquele teatro feito com pouco recurso e com muito amor, muita vontade de acertar. Inspirador e criativo.

GAVIÃO DE DUAS CABEÇAS – Nessa peça o que se entende pelo tal “lugar de fala” , o “biodrama”, quiça o “teatro documentário” e a dança-teatro são reconfigurados nesse solo de Andreia Duarte e, que depois de viver por anos numa tribo indígena mistura memórias, cultura e denúncia social para falar de forma direta sobre a questão indígena, sem se furtar de ser politica e emotiva. Um belo exemplo de solo!!!
(+)
https://ilusoesnasalaescura.wordpress.com/…/gaviao-de-duas…/

JOSEPHINE BAKER, A VÊNUS NEGRA – O que mais admiro no teatro é um artista entregue. Se acrescido a essa entrega tiver a força aguerrida de produzir tudo…#matchpoint. Ganha todo meu respeito. É o que acontece com Aline Deluna, que dá vida a personalidade marcante e irreverente da cantora Josephine Baker. Aline é talentosa, causa empatia, tem versatilidade e conseguir criar um trabalho que além de reverenciar sua “musa”, ainda serve de trampolim para projetar todo seu talento. Essa luz interior sempre me emociona. #arrazôgata
(+)
https://ilusoesnasalaescura.wordpress.com/…/josephine-bake…/

ISTO É UM NEGRO? – Para mim uma das melhores qualidades num trabalho artístico é sua possibilidade crítica de debochar das próprias questões. A cena final de “Isto é um negro?” é o exemplo que fica de um trabalho com poucos recursos cênicos, com duas atrizes interessantes e que resultou numa grande provocação sem proselitismo.
(+)
https://ilusoesnasalaescura.wordpress.com/…/isto-e-um-negro/

LOBO – São muitos homens nus em cena, se debatendo e se chocando de forma intensa, sem que isso resvale numa conotação (homo)sexual na primeira cena da performance. É possível ver todos esses homens e não associar a sua sexualidade. Ver que é possível a tensão masculina vier a tona, sem que isso vire uma grande pegação de homens em cena – vide o que é feito pelo Teatro da Pomba Gira – é o grande feito de Carolina Bianchi. A possibilidade que teve de ter tantos artistas a sua disposição é outro feito, #respeiteamoça

LOVE LOVE LOVE – Teatro é texto, é a palavra, e o que dela podemos potencializar em cena com nossos corpos. O texto de Mike Bartlett é um soco no estomago. O público acompanha o passar do tempo de uma família e com ela, toda a degradação de sonhos, emoções e expectativas. Não tem como sair indiferente do teatro. Para complementar Yara de Novaes ofereceu uma mãe inesquecível. #peçaobrigatória!!
(+)
https://ilusoesnasalaescura.wordpress.com/…/03/love-love-l…/

OFÉLIA – A TRAVESTI GORDA – O que me chamou a atenção na performance de Magô Tonhon (foto), não foi sua capacidade de entreter e fazer rir, e sim sua capacidade de se desnudar e de debochar diante de questões tão delicadas para si mesma, como a travestilidade e a gordofobia. Para ser artista é preciso ter coragem antes de tudo, de arriscar e vencer os próprios limites, de não ter medo de ser ridícula e nem piegas. Magô não é atriz, ou pelo menos, ainda não. Mas… tenho grande empatia por quem se joga sem rede de proteção. #voltaofélia

TRIPAS – A radicalidade nas artes é sempre algo ambicionado. No teatro há muitos pretensos artistas que requentam escolhas de outros artistas e em vez de inovarem, oferecem um pastiche. Pedro Kosovski escreveu e dirigiu uma peça para falar sobre a doença do pai (Ricardo Kosovski) e todos os questionamentos que dela surgiram. Incluindo questionamentos sobre o amor, a paternidade e a (homo)sexualidade. O beijo na boca – e de língua – de pai e filho no final da peça é daquelas opções cênicas que nos tira da cadeira de forma irreversível. #arrazaramnacoragem

Rodolfo Lima

Crédito foto: Márcia Zanelatto

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s